Paulo Morais · Artigos e conhecimento
Cancro e atividade física: O papel do exercício na recuperação
Este episódio do podcast "Dois de Conversa", da Liga Portuguesa Contra o Cancro, aborda a importância vital da atividade física em todas as fases da jornada do doente oncológico: desde a prevenção e preparação para o tratamento (pré-habilitação), até à recuperação após o tratamento e manutenção da saúde a longo prazo. A médica oncologista Inês Leão explica que o exercício não é apenas um complemento, mas uma parte integrante e benéfica do tratamento, ajudando a tolerar melhor as terapias, a melhorar a capacidade cardiorrespiratória e a promover o bem-estar emocional e social.
Principais Pontos Discutidos
- Abordagem Multidisciplinar: A importância de uma coordenação entre médicos oncologistas, enfermeiros, nutricionistas, técnicos de exercício físico e fisiatras para personalizar o plano de treino de cada doente.
- Benefícios Transversais:
- • Físicos: Melhora a tolerância aos tratamentos, a capacidade cardiorrespiratória e a composição corporal (aumentando massa muscular e reduzindo massa gorda).
- • Emocionais: O espírito de grupo em aulas de exercício ajuda a tornar o processo de tratamento mais leve.
- Individualização: Cada caso é um caso. O exercício deve ser adaptado à fase da doença e às necessidades do doente, sendo fundamental discutir o plano com o médico oncologista antes de iniciar.
- Recomendações Gerais: As diretrizes sugerem, genericamente, pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, associados a dois treinos de resistência (força). Para os idosos, reforça-se a importância de exercícios de equilíbrio.
- "Todos os passos contam": É essencial transmitir que qualquer prática é melhor do que nenhuma. As metas devem ser realistas, progressivas e respeitar os limites do corpo.
- O Papel da Família: Os familiares são aliados fundamentais no incentivo e no acompanhamento de caminhadas ou outras atividades físicas.
- Vida após o Cancro: A manutenção de um estilo de vida ativo após o tratamento é crucial para mitigar riscos cardiovasculares (como hipertensão e diabetes) e assegurar uma melhor qualidade de vida a longo prazo.
